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Pelo terceiro ano consecutivo Santa Maria não terá desfile das escolas de samba

Pelo terceiro ano consecutivo Santa Maria não terá desfile das escolas de samba

Em reunião realizada na tarde desta terça-feira (30), a Prefeitura e a Associação Aliança pelo Samba deliberaram, em comum acordo, pela não realização do Carnaval de Rua de Santa Maria neste ano. O motivo para a decisão foi, antes de tudo, a intenção de realizar um evento planejado, organizado e de qualidade. Apesar dos esforços da Administração e da entidade que, juntas, conseguiram aprovar um projeto na Lei Rouanet, as agremiações reconhecem que não houve tempo hábil para a captação dos recursos financeiros que poderiam viabilizar o desfile.

“Queremos realizar um carnaval grandioso e bonito em Santa Maria, mas sem o investimento de recursos públicos, pois a Prefeitura não tem condições financeiras neste momento. Por isso, nossa decisão é de adiamento e não de cancelamento. A partir de agora, as escolas de samba terão um ano inteiro pela frente para trabalhar, se organizar e captar recursos privados, via Lei Rouanet, para que Santa Maria possa ter um grande carnaval em 2019. E a Prefeitura vai continuar parceira da Associação, tanto na captação de recursos, quanto no apoio com infraestrutura para a realização do evento”, explicou o chefe da Casa Civil, Guilherme Cortez.

De acordo com Leonardo Ribeiro, presidente da Associação Aliança pelo Samba, o projeto aprovado pela Lei Rouanet tem validade até 31 de dezembro de 2018, o que dá condições para que a Associação Aliança pelo Samba continue ampliando parceriais e captando recursos durante esse período.

“Aprovamos o projeto em outubro, por isso, não tivemos tempo hábil para a captação de recursos. Esse é um novo modelo para a realização do carnaval, estamos aprendendo e queremos nos profisisonalizar. Já conseguimos alguns apoios financeiros e vamos continuar batalhando ao longo do ano. O projeto está pronto e aprovado, agora é captar”, afirmou o presidente da associação.

Também participaram da reunião a secretária adjunta de Cultura, Esporte e Lazer, Márcia Teston, e o representante do Conselho dos Presidentes das Escolas de Samba de Santa Maria, Paulo Silveira.

ESCOLAS VÃO MANTER ENSAIOS NAS QUADRAS

Leonardo Ribeiro e Guilherme Cortez explicaram que o Carnaval não vai ser silenciado em Santa Maria, pois as escolas de samba – aquelas que estão com suas quadras e espaços de ensaio em condições – vão continuar realizando suas atividades normalmente durante o mês de fevereiro e março.

No entanto, as escolas deverão obedecer o que determina o Decreto Executivo nº 176, assinado pelo prefeito Jorge Pozzobom em 21 de dezembro de 2017. O documento determina que as festividades de carnaval devem iniciar em 13 de dezembro de 2017 e encerrar em 12 de março de 2018. Os ensaios e reuniões nas agremiações estão permitidos de domingo a quinta-feira, das 20h à 1h e, nas sextas e sábados, das 20h às 3h.

Em caso de descumprimento dos horários citados no decreto, a população pode entrar em contato com o Setor de Fiscalização de Posturas da Prefeitura, pelo telefone (55) 3921-7048, de segunda a sexta-feira, das 7h30min às 13h.

Ainda na tarde de ontem a Associação Aliança pelo Samba disponibilizou uma nota oficial sobre a decisão das escolas. Confira, abaixo.

NOTA DAS ESCOLAS DE SAMBA

O Carnaval de rua em Santa Maria sempre teve uma importância histórica para nossa cidade. Grandes Carnavais oferecidos por Escolas de Samba e agremiações que trazem na sua essência o amor pela samba e pela Cultura.
A paixão de pessoas abnegadas que levam para a Avenida nossa história, nossa vida, sempre contada em lindos enredos que encantam a todos.
Santa Maria, ao longo dos anos, convive com a dificuldade de montar toda esta estrutura chamada “Carnaval de Rua”.
A incerteza do evento acontecer no ano seguinte, a dificuldade financeira, a incapacidade da busca de recursos, a falta de um calendário de atividades em muitas entidades durante o ano todo como forma de manter a comunidade unida e também como busca de recursos financeiros, a falta de uma lei municipal específica que trate sobre o Carnaval, a falta de local adequado para ensaios, a dependência praticamente total dos recursos oriundos do poder público são dificuldades presentes ao longo da história.
Com o objetivo de mudar este cenário surgiu a Associação Aliança pelo Samba de Santa Maria. Entidade que tem a consciência de que, sem a profissionalização das ações Santa Maria jamais terá o Carnaval que merece.
Nossa Cidade Cultura, nosso povo que ama o Carnaval, merecem algo mais do que vem sendo feito até hoje.
Para 2018, o poder público municipal se prontificou a ajudar dentro das possibilidades do momento, ou seja, sem recursos financeiros.
A Associação pelo Samba envidou esforços no sentido de captação de recursos em entidades privadas, através da Lei Rouanet.
Nos deparamos com a situação de que, qualquer captação de recursos financeiros deverá ser planejada com um ano de antecedência, o que inviabilizou a obtenção de recursos para o Carnaval de 2018.
Muito embora já tivéssemos alguns empresários dispostos a colaborar, aos quais agradecemos o apoio, ainda assim, o total de valores possíveis está muito aquém das necessidades.
E, por entender que nossa cidade merece ter na Avenida uma apresentação de Carnaval que a coloque entre os principais Carnavais do estado, o que não seria possível nas condições atuais;
por entendermos, a Associação e diretorias de Escolas de Samba, que temos que ser profissionais, que temos que diminuir cada vez mais esta dependência financeira do poder público, que devemos ter capacidade de planejamento e ações integradas, foi decidido em reunião com todas as Escolas de Samba de Santa Maria que em 2018 não teremos carnaval de rua.
Tal decisão tem o objetivo de que, a partir de 2019, tenhamos um evento com a grandeza, a organização e o planejamento que a cidade merece. E que o brilho do Carnaval Santamariense faça elevar ao grau máximo a nossa condição de CIDADE CULTURA.

Central de Jornalismo – Fabricio Minussi (MTB 11.110)

Com informações de Ana Bittencourt (Mtb 14.265) e Central de Jornalismo
Fotos: Viviane Campos

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