Um dos mais belos cartões postais da cidade já não atrai os santa-marienses como acontecia há alguns anos. O painel Muro da Memória, localizado nos fundos da Biblioteca Pública Municipal Henrique Bastide, sofre com a passagem do tempo e também com o vandalismo. Em curto prazo, a situação não deve mudar.

O painel foi pintado em maio de 2010 pelo artista Eduardo Kobra, de São Paulo. O trabalho foi financiado pela Caixa Econômica Federal, que investiu R$ 100 mil como forma de presentear o município pelos seus 152 anos de emancipação político-administrativa. O banco pagou os honorários e os materiais para a pintura, enquanto que Prefeitura e Cacism bancaram a vinda do artista e sua equipe.

Conforme a secretária de Cultura, Esporte e Lazer de Santa Maria, Marta Zanella, um projeto de revitalização será montado com urgência para o espaço. A iniciativa irá incluir melhorias no Museu de Arte (MASM), na Biblioteca Pública e no Arquivo Histórico.

“Considero aquela região a mais cultural da cidade. Eu me preocupo com o descaso, pois as pessoas não se sentem donas do espaço público”, expõe Marta.

Todavia, a forma como será feita a revitalização do mural preocupa a secretária.

“Não sabemos se o Kobra voltaria a Santa Maria para revitalizar o trabalho ou se ele autorizaria outro artista a atuar na obra”, comenta.

O painel teve por objetivo promover um resgate histórico da cidade. A pintura foi criada em cima de uma imagem da Avenida Rio Branco na década de 1950. Até hoje, Santa Maria é o único município do Rio Grande do Sul que possui um trabalho de Kobra.

“Eu teria o maior prazer em voltar e restaurar o painel”, afirma Kobra

Eduardo Kobra é um expoente da neovanguarda paulista, apresentando obras ricas em traço, luz e sombra. Além de Santa Maria, hoje ele conta com obras espalhadas por Nova York, Moscou, Los Angeles, Rio de Janeiro, São Paulo, Recife, entre outras metrópoles.

Em entrevista ao jornal A Razão, ontem à tarde, Kobra, destacou que tem interesse em retomar seu trabalho em Santa Maria.

“Eu teria o maior prazer em voltar e restaurar o painel. Recordo que, pouco tempo após a pintura, a parede apresentou problema de infiltração, o que danificou a cor e gerou um desgaste mais rápido do que o normal. Logo depois, teve um ato de vandalismo que prejudicou mais uma vez o painel”, relata Kobra.

Segundo o artista, no caso de uma revitalização, é possível manter o mesmo desenho e repintá-lo. Após, seria aplicado verniz para manter a pintura por mais tempo. Kobra também argumenta que, de momento, não saberia quanto cobrar pelo serviço.

“Eu teria que ir fazer uma visita e analisar a pintura sem compromisso. Ou, então, alguém da cidade me enviar fotos detalhadas para que possamos avaliar. É algo que eu, realmente, me esforçaria para alcançar um orçamento viável. Em outros locais do mundo já aconteceu de voltarmos para fazer uma revitalização”, alega.

O muralista não concorda com a hipótese de ver outro artista revitalizando o seu painel.

“Isso ocorre, geralmente, quando o artista morre. Só quem conhece a minha técnica é o pessoal da minha equipe. Eu não aconselho outra pessoa a tentar uma revitalização”, argumenta Kobra.

Central de Jornalismo – Fabricio Minussi (MTB 11.110

Reportagem: Maiquel Rossauro / A Razão
Foto: Ronald Mendes / A Razão

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